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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Outro Livro

Fábio Betanin:a coletivização forçada na URSS

Este livro  unifica as minhas reflexões  sobre o stalinismo.Aguardem porque  farei artigos  sobre ele.

sábado, 22 de agosto de 2015

Aqui não entre quem não souber Marxismo



Série sobre Gorender




Continuando os  comentários  sobre este  livro revelador de Jacob Gorender,faço um outro artigo sobre uma questão muito importante  do marxismo brasileiro  e universal,que recende das linhas do livro:o diletantismo,uma das acusações mais  cáusticas da  direita.
Em função da  perda  de  credibilidade do marxismo por  causa  dos descaminhos da URSS e do Stalinismo, a  capacidade de  cooptação das massas por este movimento diminuiu terrivelmente ,exceto nos países  em que houve uma dissensão declarada com o que acontecia  lá,Áustria,Iugoslávia(Tito) e ,principalmente,Itália(através da politica  do socialismo   italiano de Togliatti).
O empedernimento  dos demais  partidos  em seguir a  ortodoxia  soviética,apesar dos  crimes,delirando na maionese da  “ciência   marxista-leninista”,os levou a perder mais e mais adeptos.
Aqui no Brasil,não foi diferente.Em plena  época do “ front populaire”,a  aliança com os partidos  não –comunistas para barrar o  fascismo(depois  dos  erros de 1933,que permitiram a  ascensão de  Hitler),houve uma tentativa de revolução ,em 35,com a liderança  contestada de Prestes(Astrojildo Pereira  não aceitou a  sua entrada no PCB,que foi imposta pela internacional  comunista,pela URSS,por  Stálin)que  prejudicou a História  do PCB para sempre e ,em grande parte,justificou a  cassação do Partido em 1948.
Estes  erros,não discutidos  até  hoje ,puseram a impossibilidade de mais  pessoas entrarem para o Partido.Mas há outros  erros:fazer uma  aliança com Getúlio,aquele mesmo que  mandou Olga Benário para os nazistas,afastou,para sempre,outras centenas de militantes.E mais outros erros:muita gente  acreditou na história de que  era  tudo mentira o que a burguesia  dizia  contra  Stálin,mas em 56 o Partido(ou os Partidos todos,inclusive o da  URSS)teve que  reconhecer que  era verdade e muita  gente ,novamente,saiu ,para sempre,dele.Marighella  ficou ,depois  de muito choro ,no meio-fio(a  popular sarjeta).
Comparando com a frase (anti-demagógica)de Platão na Academia,” Aqui não entre quem não souber geometria”,todos os partidos  comunistas deveriam ter colocado nos  seus pórticos “ Aqui não entre quem não souber Marxismo”,porque quem conhecia marxismo sabia que estas aventuras não tinham nada  a ver com o que Marx  disse,nada.Mas o marxismo pós-Marx,ficou refém de  necessidades  práticas de libertação dos povos,os quais não tinham preocupação nenhuma em estudar uma teoria  que os ajudasse no seu intento,mas queriam uma  que confirmasse  a decisão de lutar.Neste  processo ocupa  um lugar especial a figura de Lênin,que baseado num carta  de  Marx  endereçada aos  narodniks  russos,criou a teoria do “elo   mais  fraco”.Nesta  carta ,Marx  concordou com os populistas russos quanto à  possibilidade de a Rússia  chegar ao comunismo sem  passar pelas agruras do capitalismo.Mas tanto Lênin quanto os  populistas não sabiam,por falta de estudo,que  Marx não admitia  um Estado tão grande  associado à  implantação  do comunismo.Logo,  o que  ocorreu na Rússia foi uma revolução nacional(“ socialismo num só país”)muito semelhante(semelhante)ao nacional-socialismo de Hitler.
Em 1967  se  deu  o mais importante  Congresso do Partido Comunista Brasileiro,depois do da fundação.Nele  ficou decidido,pela  maioria  suposta,que  o Partido  lutaria no âmbito  da democracia,que seria  vista então,não como valor  meramente tático,como Lênin preconizara em dois livros:” Duas táticas da Social-democracia” e “ A Doença  Infantil do esquerdismo no comunismo”,mas como valor estratégico(não sei se esta palavra  identifica a democracia  como finalidade em si ,objetivo em si dos  comunistas,ou seja,lutam pela  democracia,não sei...).
Esta  decisão  aprofundou ainda mais a  divisão da esquerda,com uns lutando pela  democracia e outros  indo para a luta armada.
Subjaz ,no entanto,a este embate,a verdade de  que  o comunismo,que não previra  64,estava nos estertores e  esta  constatação também aprofundou a necessidade(demagógica)de cooptar qualquer  pessoa,ainda que não entendesse de marxismo,isto é, o que já era ruim,ficou pior.
Esta divisão no PCB,foi dando lugar a este oportunismo demagógico,que favorecia  aos setores  internos  que queriam,não lutar pela  democracia,mas aderir a ela e  ao antigo regime,percebendo  que o comunismo ia acabar e  que eles  precisavam se  proteger ou se  salvar,ou ganhar benesses  do estado capitalista.Eles que eu digo,alguns militantes do PCB,mais  liagdos ao aparelho(alguns estão aí ainda).
Neste contexto é  que quando houve o retorno de Prestes ,na anistia,ele teve que se demitir do cargo de  secretário-geral.Não era por  causa  da democracia,porque Prestes  sempre  colocara(inclusive em 67)a democracia como um dos meios de se chegar ao  socialismo(no rastro da política de Khruschev,pós -56).A razão de  sua saída foi o oportunismo  ,a aderência,que se  tornou o mote  oculto  da  discussão pós-Prestes entre  Partido de Massas e e Partido de  Quadros ,na década  de 80.
Quando eu mesmo entrei no Partido,ou pelo menos,comecei a acompanhá-lo,  a grande  questão  era a permanência de Prestes ,como um entrave que  era  ao desenvolvimento do partido,diante do crescimento do PT,recém-fundado.O tipo de Partido que  permitia  este desenvolvimento  era o “ partido de Massas”,por  oposição ao “partido de  quadros” supostamente defendido por Prestes e  sua porta-voz Anita Leocádia Prestes.
Contudo esta não era a verdade.Anita e Prestes defendiam o óbvio:que não podia entrar no Partido qualquer um.Que o militante devia ser consciente.O que havia então era um oportunismo aderente,uma versão tupiniquim da  “ Reação Termidoriana” que eu vou explicar proximamente.
Os  partidos comunistas e  o nosso, entraram nesta demagogia capitalista selvagem em que ,diferentemente da Academia de Platão,entra numa escola quem paga,entra num partido quem tem voto.No entanto,em Partido Comunista de Massa ou de Quadros só deve entrar aquele que tem consciência,que sabe o que é marxismo,que quer  entrar também(Partido Comunista não é para arrumar caso amoroso)e mesmo a massa que vota deve ter consciência e se elevar na sua cidadania ,na relação com este Partido.
Para mim ,a  diluição que houve ,no Partido,depois da saída de  Prestes,como resultado da vitória  do Partido de massas tem um significado mais grave,porque isto diluiu o Partido,acabando com ele aos poucos,no que era um dos objetivos da ditadura,no seu final:fazer crescer o PT,enquanto o PC desaparecia,para diminuir o poder da oposição,pelo seu estilhaçamento  e evitar  que  os comunistas se beneficiassem do regime militar.
O projeto era de Golbery do Couto e Silva e eu já mostrei isto em outro artigo ,no Blog “ A Ponte”.Não sei não...



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Novo item da Biblioteca

"O  combate  nas  Trevas"  de Jacob Gorender
Farei  uma  resenha  deste  livro.

Revelar  ou esconder?


Este  livro  é  o  mais  radical  quanto a  uma  análise  honesta  do périplo d a esquerda antes  ,durante e  depois  da  ditadura  militar,com  suas autocríticas ,culpas e  erros.
Digo  culpas,porque  neste  livro  existem  muitas  responsabilidades  graves  da  esquerda ,em  relação  ao  povo  brasileiro e  em relação a  ela  própria.
Existe  uma  questão  séria,dentro  da  esquerda  e na  conexão dela  com o povo , e  com a História.Como  os  seus remanescentes  estão  aí e ainda  esperam  que  a onda  revolucionária  retorne,fica  a pergunta:mostrar  fatos  ocultos e  perigosos da  História da  esquerda  é  uma exigência  de  respeito à História ou a  clandestinidade e a  esperança  e de retorno desta onda  impõe  que   sejam  mantidos  na  penumbra?


Antes  de  mais  nada  para  explicar exatamente  o  porquê  disso  nós  precisamos  entender  que  a  questão da  clandestinidade , para os  comunistas,ocupa  um  lugar  decisivo.Revelar a  História  real da esquerda  põe  em  risco  mitos  que ela eventualmente considera  como  verdades,a  apontar  o caminho  futuro  do movimento,servindo-lhe mesmo de  base.
É    uma especificidade deste  movimento.Mas  isto  favorece o autoritarismo interno,o bandido que  se  incrusta e  acima  de  tudo ajuda  a corromper jovens incautos,suscetíveis às mentiras(que  as há).


O intelectual marxista é  diferente dos outros  intelectuais porque  admite  pegar em armas  para fazer valer as suas idéias,dentro  do processo politico.
Ele  não  é como Silva Jardim,grande tribuno  republicano  brasileiro ,que se matou no Vesúvio,por  ter  sido  enganado na hora da  proclamação da  república(que ele pensou  que  ia  ser ele a  fazer)...
Ele  pega em armas,sendo esta  uma prévia  condição universal de  adesão do militante  politico ao partido,mas há um momento em que  ele  esquece a  preeminência da politica  para  colocar neste lugar a  força,não do militante,mas do militar.


O  militante  é  aquele que  milita  o tempo todo e não  é  necessàriamente  fardado.O militar é aquele que  se  fardou,se  expôs  como  militante  permanente.Esta  dicotomia  é  muito importante  para  entender a  trajetória  da  esquerda brasileira(e  internacional) e  os  comentários  que  continuo fazendo aqui.