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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Os judecas














Dante Alighieri colocou os traidores,a quem chamava de judecas,num determinado circulo  do inferno,onde 

ardiam no fogo.Um dos mais famosos traidores da história é Francesco Pazzi,retratado aí em cima por 
Leonardo Da Vinci.
Um dos capítulos mais terríveis da obra de Gorender  é a revelação de algumas traições  que conduziram companheiros à morte.Ele foi o primeiro a colocar abertamente esta questão no seio da esquerda.Eu ,como sempre, não ultrapasso o livro,eu discuto o problema sempre dentro de uma perspectiva atual e de futuro.
Eu já coloquei as balizas desta problemática em outro artigo mas vou relembrar aqui porque é necessário.
A trajetória dos comunistas em muitos lugares e aqui ,foi sempre clandestina.A clandestinidade tem um significado aparentemente  heróico,mas ela se tornou não uma imposição dos vários sistemas repressores que se abateram sobre os comunistas.O problema é que ela se tornou uma finalidade e neste sentido ela funcionou muitas vezes como uma justificação para comportamentos indevidos na relação entre os companheiros,notadamente,quando a clandestinidade não era tão exigível.Às vezes ,parece,que a clandestinidade tinha  outras finalidades,que não a defesa e a continuidade da luta.
Junte-se  a isto o fato de que  os partidos comunistas admitiram sempre pegar em armas para fazer valer as suas idéias,rompendo com a visão do século XIX,em que o intelectual não o fazia.
Carlos Eugênio Paz,em entrevista a Geneton  Moraes Neto,faz revelações que nos ajudam a compreender as conseqüências desta junção militarização/clandestinidade.
Os partidos de modo geral são baseados em idéias e aqueles que participam deles o fazem por causa delas,mas normalmente,por princípio democrático,quando há divergência é um direito da pessoa sair,por convicção.
Na clandestinidade,sair por convicção implica em risco de revelação de segredos e muitas vezes os justiçamentos relatados por  Gorender e Carlos Eugênio Paz parecem ser motivados não por qualquer razão que não seja preservar este segredo.
Mas isto é justo?Carlos Eugênio afirma que matou um companheiro porque simplesmente ele saiu,foi uma defecção.
Na minha opinião só se pode fazer um justiçamento se houver risco para o grupo,pois sair por convicção é um direito político,que a necessidade militar,engajada,clandestina não tem o direito de justificar.É crime.
A mim me soam estranhas certas narrativas contidas no livro,porque tudo é muito nebuloso e conduz a esta constatação de que os atos de justiçamento são praticados por uma forma muito sutil de ditadura,porque,na luta,se o companheiro não acredita mais,não pode sair.E eu pergunto se em tais casos não há  interesse de determinadas lideranças de obter poder praticando estes atos e se mais grave do que isto,tal possibilidade já não joga um papel político prévio,quero dizer,se  clandestinidade,desnecessária,não é definida com propósitos escusos,pessoais.
Na clandestinidade é mais fácil,é mais fácil adquirir um nome,mesmo estando aliado ao outro lado.