Dante Alighieri
colocou os traidores,a quem chamava de judecas,num determinado circulo do inferno,onde
ardiam no fogo.Um dos mais
famosos traidores da história é Francesco Pazzi,retratado aí em cima por
Leonardo Da Vinci.
Um dos capítulos
mais terríveis da obra de Gorender é a
revelação de algumas traições que
conduziram companheiros à morte.Ele foi o primeiro a colocar abertamente esta
questão no seio da esquerda.Eu ,como sempre, não ultrapasso o livro,eu discuto
o problema sempre dentro de uma perspectiva atual e de futuro.
Eu já coloquei
as balizas desta problemática em outro artigo mas vou relembrar aqui porque é
necessário.
A trajetória dos
comunistas em muitos lugares e aqui ,foi sempre clandestina.A clandestinidade
tem um significado aparentemente
heróico,mas ela se tornou não uma imposição dos vários sistemas
repressores que se abateram sobre os comunistas.O problema é que ela se tornou
uma finalidade e neste sentido ela funcionou muitas vezes como uma justificação
para comportamentos indevidos na relação entre os companheiros,notadamente,quando
a clandestinidade não era tão exigível.Às vezes ,parece,que a clandestinidade
tinha outras finalidades,que não a
defesa e a continuidade da luta.
Junte-se a isto o fato de que os partidos comunistas admitiram sempre pegar
em armas para fazer valer as suas idéias,rompendo com a visão do século XIX,em
que o intelectual não o fazia.
Carlos Eugênio
Paz,em entrevista a Geneton Moraes
Neto,faz revelações que nos ajudam a compreender as conseqüências desta junção
militarização/clandestinidade.
Os partidos de
modo geral são baseados em idéias e aqueles que participam deles o fazem por
causa delas,mas normalmente,por princípio democrático,quando há divergência é
um direito da pessoa sair,por convicção.
Na
clandestinidade,sair por convicção implica em risco de revelação de segredos e
muitas vezes os justiçamentos relatados por
Gorender e Carlos Eugênio Paz parecem ser motivados não por qualquer
razão que não seja preservar este segredo.
Mas isto é justo?Carlos
Eugênio afirma que matou um companheiro porque simplesmente ele saiu,foi uma
defecção.
Na minha opinião
só se pode fazer um justiçamento se houver risco para o grupo,pois sair por
convicção é um direito político,que a necessidade militar,engajada,clandestina
não tem o direito de justificar.É crime.
A mim me soam
estranhas certas narrativas contidas no livro,porque tudo é muito nebuloso e
conduz a esta constatação de que os atos de justiçamento são praticados por uma
forma muito sutil de ditadura,porque,na luta,se o companheiro não acredita
mais,não pode sair.E eu pergunto se em tais casos não há interesse de determinadas lideranças de obter
poder praticando estes atos e se mais grave do que isto,tal possibilidade já
não joga um papel político prévio,quero dizer,se clandestinidade,desnecessária,não é definida
com propósitos escusos,pessoais.
Na
clandestinidade é mais fácil,é mais fácil adquirir um nome,mesmo estando aliado
ao outro lado.
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