href="file:///C:\Documents%20and%20Settings\Usuario\Desktop\mesa%20de%20trabalho\1515_ptole_BWLow2.pdf"

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

É muito estranho... II



Muita gente que na época da anistia integrava o PT era do Partidão.A sua função era mudar de dentro o PT ou levar,como queria Hércules Correa,os quadros do PT para o PC.
Contudo,com o tempo e em face da arrogância destes lideres stalinistas,a situação virou facilmente a favor do PT,este partido hibrido.Então a conduta dentro do Partidão ficou muito ambígua:explico.
Na medida ,e eu já disse em outro artigo e  em outro blog,a respeito de Achille Ochetto,em que o Partido já não era mais aquilo que  dizia ser,deveria,por uma questão de honestidade se modificar.
Como um afirmação de Gramsci,tirada de Hegel,enquanto o novo não parece totalmente e  o velho não deixa o proscênio ,o que há é ambigüidade e morbidez(morte[transfiguração que não acaba]),mas há também o fenômeno da traição, da podridão moral.
Muita gente cresceu,ganhando ou não dinheiro,com este lusco-fusco,nem manhã,nem noite(MacBeth).A auto-reforma do socialismo,no âmbito de todos os partidos ,inclusive na Europa,mas focalizando mais o brasileiro, permitiu que muita gente em nome da continuidade do comunismo(que não defendia de fato)ganhasse foros de importância(nome),para no fim do movimento se tornar aquilo que já queria ser antes:um termidoriano ,um fisiológico,cuja diferença para um fisiológico de  direita é nenhuma.
E eu cito agora a direita propositalmente,porque esta ambigüidade,mal escondida na auto-reforma,favorecia a direita,não só por enfraquecer o partido,desuni-lo,mas principalmente,por permitir um empurrãozinho que deve ter sido dado com gente infiltrada.
Se você,eticamente,não concorda com um movimento,sai,deve sair.Os partidos,como a Política,não são profissão,mas convicção.Embora Prestes tenha alguns problemas na sua  militância,sempre admirei o fato,e isto eu entendo ser uma característica  necessária de todo revolucionário,do seu desprendimento em começar do zero quando não concordava com alguma coisa,como expressou o seu filho João Ribeiro Prestes,no documentário “ O Velho”.Ás vezes e necessariamente o revolucionário,aquele que quer mudar precisa ficar sozinho.
Uma vez eu ouvi isto numa reunião partidária e infelizmente a pessoa que o disse não confirmou coerência quanto a isto,mas eu,até hoje:” comunista,pessoa que quer mudar, luta onde der (sozinho[eu acrescento])”.

É muito estranho...



Hoje,numa época de relativa maturidade pessoal, acho muito estranhos certos comportamentos  de cooptação do partido em relação aos possíveis militantes e especificamente quanto a mim.
Depois da atitude de Marighella,já relatada,em relação a Carlos Eugênio Paz,fico pensando que muita da cooptação dos dirigentes obedecia a interesses pessoais(stalinistas) quiçá escusos,isto é,motivações por critérios de espionagem ou infiltração.
O Partido no exílio sabia que tinha  perdido espaço para o PT e enviou muita gente, em todos os setores,para militar no PT e de dentro modificá-lo de modo a favorecer o partidão quando de sua inevitável volta em 1979.
Só que neste processo muita gente percebera já  a impossibilidade de fazê-lo e começou a jogar com os dois lados.
Na verdade desde o sexto congresso ,o partido se dividira em uma postura de aceitação das regras do jogo e uma transferência da vanguarda da luta para o PT.
O que não significava na época e hoje que  não predominasse a tendência que se tornou hegemônica atualmente,sob as rubricas:” melhorismo”,” democracia” ou outras denominações:pura adesão termidoriana ao antigo regime.
A prática de cooptação é uma medida constante desta tendência inicial e que se tornou dominante.O esquema é simples:colocar qualquer um dentro do partido para fingir que existe massa;quando as coisas não vão  bem a liderança põe a culpa nestes preparados(que ela não preparou)e se exime de  responsabilidade;uma parte destes anódinos(principalmente mulheres)permanecem no Partido,recebendo benesses e sem sofrer nenhuma critica,para mostrar que,apesar dos erros de alguns,o partido segue e a liderança recuperou-o,a despeito dos maus elementos.
Um esquema demagógico,sem fundamento teórico e manipulatório,em sua essência,que privilegia  aquele que interage não com  o marxismo mas com a liderança stalinista(personalista[ela mesmo]).
Aparentemente a atitude educativa de Marighella em relação a Carlo Eugênio não tem similitude na cooptação dos dominicanos,crianças que despreparadas o tempo todo e que acabaram por levar o chefe à morte.
Poderia se alegar que a manipulação da igreja em sua força de penetração nas massas justificava esta cooptação,mas não há como não inquinar esta atitude de irresponsável e um pouco desesperada(se existe desespero pouco...)já que a vítima foi o próprio líder.
Eu,de  minha parte,se fosse cooptado para a  luta armada,me recusaria a pegar em armas para lutar ao lado de coroinhas jovens acostumados a ouvir ,na barra da saia da mãe,” quando baterem na sua face esquerda,ofereça-lhe a direita”.É um absurdo e um convite evidente de mais à valsa,que nos enseja a pensar que tudo é premeditado.Assunto para o artigo seguinte.