Hoje,numa época
de relativa maturidade pessoal, acho muito estranhos certos comportamentos de cooptação do partido em relação aos
possíveis militantes e especificamente quanto a mim.
Depois da
atitude de Marighella,já relatada,em relação a Carlos Eugênio Paz,fico pensando
que muita da cooptação dos dirigentes obedecia a interesses
pessoais(stalinistas) quiçá escusos,isto é,motivações por critérios de espionagem
ou infiltração.
O Partido no exílio
sabia que tinha perdido espaço para o PT
e enviou muita gente, em todos os setores,para militar no PT e de dentro
modificá-lo de modo a favorecer o partidão quando de sua inevitável volta em
1979.
Só que neste
processo muita gente percebera já a impossibilidade
de fazê-lo e começou a jogar com os dois lados.
Na verdade desde
o sexto congresso ,o partido se dividira em uma postura de aceitação das regras
do jogo e uma transferência da vanguarda da luta para o PT.
O que não
significava na época e hoje que não
predominasse a tendência que se tornou hegemônica atualmente,sob as rubricas:”
melhorismo”,” democracia” ou outras denominações:pura adesão termidoriana ao
antigo regime.
A prática de
cooptação é uma medida constante desta tendência inicial e que se tornou dominante.O
esquema é simples:colocar qualquer um dentro do partido para fingir que existe massa;quando
as coisas não vão bem a liderança põe a
culpa nestes preparados(que ela não preparou)e se exime de responsabilidade;uma parte destes
anódinos(principalmente mulheres)permanecem no Partido,recebendo benesses e sem
sofrer nenhuma critica,para mostrar que,apesar dos erros de alguns,o partido
segue e a liderança recuperou-o,a despeito dos maus elementos.
Um esquema
demagógico,sem fundamento teórico e manipulatório,em sua essência,que
privilegia aquele que interage não com o marxismo mas com a liderança
stalinista(personalista[ela mesmo]).
Aparentemente a
atitude educativa de Marighella em relação a Carlo Eugênio não tem similitude
na cooptação dos dominicanos,crianças que despreparadas o tempo todo e que
acabaram por levar o chefe à morte.
Poderia se
alegar que a manipulação da igreja em sua força de penetração nas massas
justificava esta cooptação,mas não há como não inquinar esta atitude de irresponsável
e um pouco desesperada(se existe desespero pouco...)já que a vítima foi o próprio
líder.
Eu,de minha parte,se fosse cooptado para a luta armada,me recusaria a pegar em armas para
lutar ao lado de coroinhas jovens acostumados a ouvir ,na barra da saia da mãe,”
quando baterem na sua face esquerda,ofereça-lhe a direita”.É um absurdo e um
convite evidente de mais à valsa,que nos enseja a pensar que tudo é
premeditado.Assunto para o artigo seguinte.
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