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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

É muito estranho...



Hoje,numa época de relativa maturidade pessoal, acho muito estranhos certos comportamentos  de cooptação do partido em relação aos possíveis militantes e especificamente quanto a mim.
Depois da atitude de Marighella,já relatada,em relação a Carlos Eugênio Paz,fico pensando que muita da cooptação dos dirigentes obedecia a interesses pessoais(stalinistas) quiçá escusos,isto é,motivações por critérios de espionagem ou infiltração.
O Partido no exílio sabia que tinha  perdido espaço para o PT e enviou muita gente, em todos os setores,para militar no PT e de dentro modificá-lo de modo a favorecer o partidão quando de sua inevitável volta em 1979.
Só que neste processo muita gente percebera já  a impossibilidade de fazê-lo e começou a jogar com os dois lados.
Na verdade desde o sexto congresso ,o partido se dividira em uma postura de aceitação das regras do jogo e uma transferência da vanguarda da luta para o PT.
O que não significava na época e hoje que  não predominasse a tendência que se tornou hegemônica atualmente,sob as rubricas:” melhorismo”,” democracia” ou outras denominações:pura adesão termidoriana ao antigo regime.
A prática de cooptação é uma medida constante desta tendência inicial e que se tornou dominante.O esquema é simples:colocar qualquer um dentro do partido para fingir que existe massa;quando as coisas não vão  bem a liderança põe a culpa nestes preparados(que ela não preparou)e se exime de  responsabilidade;uma parte destes anódinos(principalmente mulheres)permanecem no Partido,recebendo benesses e sem sofrer nenhuma critica,para mostrar que,apesar dos erros de alguns,o partido segue e a liderança recuperou-o,a despeito dos maus elementos.
Um esquema demagógico,sem fundamento teórico e manipulatório,em sua essência,que privilegia  aquele que interage não com  o marxismo mas com a liderança stalinista(personalista[ela mesmo]).
Aparentemente a atitude educativa de Marighella em relação a Carlo Eugênio não tem similitude na cooptação dos dominicanos,crianças que despreparadas o tempo todo e que acabaram por levar o chefe à morte.
Poderia se alegar que a manipulação da igreja em sua força de penetração nas massas justificava esta cooptação,mas não há como não inquinar esta atitude de irresponsável e um pouco desesperada(se existe desespero pouco...)já que a vítima foi o próprio líder.
Eu,de  minha parte,se fosse cooptado para a  luta armada,me recusaria a pegar em armas para lutar ao lado de coroinhas jovens acostumados a ouvir ,na barra da saia da mãe,” quando baterem na sua face esquerda,ofereça-lhe a direita”.É um absurdo e um convite evidente de mais à valsa,que nos enseja a pensar que tudo é premeditado.Assunto para o artigo seguinte.

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