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segunda-feira, 23 de julho de 2018

O Capital III

Aprofundamentos




Marx escrevendo o Capital

Para aprofundar o artigo anterior quero dar uns exemplos esclarecedores do que eu disse acima.
O método dedutivo aristotélico a que me referi se resume no famoso silogismo:
Todos os Homens são mortais
Sócrates é homem
Logo Sócrates é homem.
O investigador vai do geral para o particular,decompondo a realidade:a totalidade racional é a humanidade mortal,mas um homem específico é extraído e uma conclusão é alcançada.
Guardadas as devidas proporções o que queria Marx com o “ concreto de pensamento” era chegar a este homem concreto,trabalhador,explorado e produtor de mais-valia.
Todos os   operários produzem mais-valia e são explorados
Sócrates é operário
Logo é explorado e produz mais-valia.
Mas,diferentemente de Aristóteles o movimento dialético da realidade social é introduzido como mediação.Então a pura racionalidade,baseada na identidade lógica,não é suficiente para entender o processo pelo qual se produz a mais-valia e a exploração.Há que introduzir o método dialético,a aufhebung.Nas relações contraditórias entre os diversos setores do capitalismo se vê como ocorre e dicotomia mais-valia/exploração.
Mas o ponto nodal da relação de Marx com Aristóteles bem como de sua ruptura ,é a dialética ,já referida por mim em outros artigos a respeito do Prefácio de 1857,entre a forma e o conteúdo(real) da realidade social.
A cada acréscimo de conteúdo na forma social,cujo centro é a produção,o modo-de -produção,ela se modifica,havendo um rompimento entre a forma antiga e os novos conteúdos que impõem a modificação(qualitativa).
Tese-----forma,antítese conteúdos,conclusão lógica nova forma.A forma do capitalismo é superada pela capacidade produtiva do operário que toma consciência da exploração e pelo seu trabalho cria outra forma,a do comunismo.
Como temos dito e o dissemos no artigo anterior o movimento social não é dialeticamente objetivo nem puramente racional.
No silogismo básico existe dialeticamente  imbricada a experiência social humana que permitiu,depois de séculos, a Aristóteles formulá-lo.Todo racionalista e todo idealista não entende(porque não tem condições)este tempo histórico –social que está por “ baixo” deste raciocínio e mais do que isto a especificação cada vez maior do real,considerando as pessoas no seu meio social,os muitos Sócrates da vida cotidiana,não são abarcáveis pelo raciocínio racional,mas pela descrição e compreensão da sociedade em suas múltiplas manifestações.
Kant ,como tenho dito ,fez esta conexão entre razão e sensibilidade,mas não pode aprofundar o significado disto.Não pode perceber a realidade do corpo,da simples razão em suas manifestações concretas,mas o racionalismo dialético de Marx cai no mesmo erro,na medida em que não possui um método capaz de apreender a realidade social concreta.
Ele nota que as leis econômicas são tendenciais.O capítulo essencial sobre on decréscimo do lucro do capitalismo e pauperização da classe operária,tem um subtítulo esquecido pelo seus seguidores,que só olham a  natureza racional de seu método:” e circunstâncias contrabalanceadoras”,mas ele não teve como identificar estas circunstâncias sociais que põem a mediação do trabalho em xeque,como princípio monista do movimento econômico e social.Por isto digo que a ideologia  é idealista,a concepção de Marx é idealista e parcialmente metafísica(Benedeto Croce).
As circunstâncias cantrabalanceadoras são o problema populacional ,a educação,a tributação,as diferenças sociais de classe ,as diferenças geográficas,históricas culturais que acrescentam mais valia,para além do esquema fechado ,dialético,de Marx.Ele nota,como eu digo no artigo anterior ,que na passagem dos preços de produção para os preços de venda,o esquema de compensação entre mais –valia e a sua extração não casa,porque existe algo mais.
Isto porque estas circunstâncias diferenciadoras acrescentam mais valia.E a ruptura revolucionária entre forma e conteúdo não ocorreu apesar da amplificação da sua capacidade produtiva e de criação de novos conteúdos.