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sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Capital


A premissa diante do Capital



Depois de muito tempo pude retornar aqui ao estudo projetado de O Capital,livro decisivo(de muitas maneiras)na minha vida.Mas nestes momentos iniciais devo colocar as premissas segundo as quais eu decidi fazer esta pesquisa,este estudo.
Quando alguém apresenta uma determinada proposta teórica é justo que a  pessoa busque informações para aceitá-la ou não.Quando estas teorias propostas ocupam um lugar na sua vida prática isto se torna uma exigência da vida inteira.
De todas as famosas teorias científicas modernas,a evolução,a relatividade(que não é tão moderna assim,como já demonstrei),todas elas foram objeto de investigação para mim,porque eu era militante comunista e a “ luta pela ciência” era parte da minha prática.
Agora,nos dias que correm encontrei compreensão da relatividade,da evolução e da mais-valia.
Neste último caso levei a vida inteira para compreender e quando o compreendi discordei de diversos modos.O que me levou a começar a discordar de Marx foi  a questão da veracidade da dialética,tema posto para debates acalorados entre a direita e  esquerda no século XX.
Estes debates me levaram para a pesquisa mais próxima do tempo de vida de Marx e notei que mesmo aí a contestação do Capital já era parte do patrimônio de lutas da própria esquerda.
Bernstein, em seu livro “ O socialismo Evolutivo” já contestara a tese da explosão inevitável do capitalismo,tema para um dos meus próximos artigos.
Mais do que isto,notei que a quantidade autores críticos era maior no lado da esquerda.Na apologética do caoitalismo só existe um de se considerar,Otto Von Bohm-Bawerk.Os outros críticos são ,na maioria ,de esquerda.
Mas o problema da dialética ,da sua “ objetividade”,é que cristalizou a compreensão dos problemas em torno de “ O Capital,que me levaram a desdenhar.
Se a dialética não é objetiva,se ela não corresponde ao movimento próprio das coisas e muito menos,da sociedade,e se ela é aplicada à economia,então erros devem se encontrar.
Então busquei um apologeta do  Marxismo,cujo livro apontava para problemas da dialética no Capital:Rosenthal.E lá eu encontrei um ponto nodal da discussão,que é exatamente o problema da transformação dos preços de produção em preços de venda.
Como apologeta,Rosenthal ( e outros)só ressaltam esta problemática no sentido de separar(erradamente)Marx de Ricardo.O erro de Ricardo era não ter entendido todo o processo de produção da mais-valia,por não analisar este processo a partir do concreto,mas de qualidades próprias do processo de produção.Na verdade Ricardo abstrai uma série de relações, impondo como modelo explicativosegundo categorias abstratas.Ele não fala de trabalhadores mas de setores da sociedade industrial britânica,a indústria e o campesinato inter-relacionados.
Marx ,seguindo outros economistas neo-ricardianos(Thompson ,Bray),amplifica todo o processo capitalista de produção,em suas partes constitutivas,concretas,mas mesmo dispondo de uma visão mais completa e de uma concepção do movimento,que dilui as abstrações vazias,o seu método dialético racional,objetivo,não é mais do que uma aproximação do concreto.Não há como chegar ao “ concreto de pensamento” pelo método racional dialético”pela dedução dialética.
Em todo a decomposição que Marx faz dos diversos compartimentos do capitalismo ele busca este “ concreto”,mas há um limite.Marx só aborda o problema social pelo racionalismo ,não considerando a realidade concreta .Ele é iludido pela idéia do “ movimento”,que ele teria apreendido,mas não é assim.Vejamos o modelo abaixo:






Vamos supor que que temos três mercadorias produzidas e prontas para vender.Pelo método de abstração o fenômeno de produção pode ser decomposto em não só mercadorias,mas em força de trabalho,que as produz,em comércio ,que as vende,mas entre elas,entre estas figuras representativas de mercadorias ,existem outros fatores sociais que têm um peso  diferenciado na produção da mais-valia.
Ao estabelecer,dentro da concepção racional do movimento dialético objetivo que o trabalho é o que produz mais-valia,sendo o trabalho não-pago a matriz da exploração,a matriz da manutenção do sistema,a excessiva capacidade de produção do capitalismo se contradiz com a progressiva incapacidade de consumo do trabalhador,daí as crises.
Marx notou,no referido processo de transformação em preço de produção e preços de venda ,uma incongruência que feria a lógica de sua exposição:os erros de cálculo pareciam indicar algo a mais,mais-valia a mais,que ele não compreendia,mas a razão é esta.Os fatores qualitativos,concretos não são apreendidos pela “ razão pura” ainda que dialética,mas possuem um papel na mais-valia.
A matriz do estruturalismo no século XX é esta concepção inserida no Capital.Levi-Strauss,o maior dos estruturalistas foi acusado muito justamente de anti-humanismo,mas alegou que a quantidade de eventos impunha o seu método,porque seria impossível a descrição real da infinidade de fatos sociais.
Esta observação vale para o Capital e a economia,como ciência social.A pura dedução não tem condições de chegar ao concreto.A decomposição dedutiva do real aplicado à sociedade tira-lhe o  sentido,as circunstâncias humanas concretas,não raro acidentais.
O capitalismo não é contraditório é anárquico .































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