Depois
de muito tempo pude retornar aqui ao estudo projetado de O Capital,livro
decisivo(de muitas maneiras)na minha vida.Mas nestes momentos iniciais devo
colocar as premissas segundo as quais eu decidi fazer esta pesquisa,este
estudo.
Quando
alguém apresenta uma determinada proposta teórica é justo que a pessoa busque informações para aceitá-la ou
não.Quando estas teorias propostas ocupam um lugar na sua vida prática isto se
torna uma exigência da vida inteira.
De
todas as famosas teorias científicas modernas,a evolução,a relatividade(que não
é tão moderna assim,como já demonstrei),todas elas foram objeto de investigação
para mim,porque eu era militante comunista e a “ luta pela ciência” era parte
da minha prática.
Agora,nos
dias que correm encontrei compreensão da relatividade,da evolução e da
mais-valia.
Neste
último caso levei a vida inteira para compreender e quando o compreendi
discordei de diversos modos.O que me levou a começar a discordar de Marx foi a questão da veracidade da dialética,tema
posto para debates acalorados entre a direita e
esquerda no século XX.
Estes
debates me levaram para a pesquisa mais próxima do tempo de vida de Marx e
notei que mesmo aí a contestação do Capital já era parte do patrimônio de lutas
da própria esquerda.
Bernstein,
em seu livro “ O socialismo Evolutivo” já contestara a tese da explosão
inevitável do capitalismo,tema para um dos meus próximos artigos.
Mais
do que isto,notei que a quantidade autores críticos era maior no lado da
esquerda.Na apologética do caoitalismo só existe um de se considerar,Otto Von
Bohm-Bawerk.Os outros críticos são ,na maioria ,de esquerda.
Mas
o problema da dialética ,da sua “ objetividade”,é que cristalizou a compreensão
dos problemas em torno de “ O Capital,que me levaram a desdenhar.
Se
a dialética não é objetiva,se ela não corresponde ao movimento próprio das
coisas e muito menos,da sociedade,e se ela é aplicada à economia,então erros
devem se encontrar.
Então
busquei um apologeta do Marxismo,cujo
livro apontava para problemas da dialética no Capital:Rosenthal.E lá eu
encontrei um ponto nodal da discussão,que é exatamente o problema da
transformação dos preços de produção em preços de venda.
Como
apologeta,Rosenthal ( e outros)só ressaltam esta problemática no sentido de
separar(erradamente)Marx de Ricardo.O erro de Ricardo era não ter entendido todo
o processo de produção da mais-valia,por não analisar este processo a partir do
concreto,mas de qualidades próprias do processo de produção.Na verdade Ricardo
abstrai uma série de relações, impondo como modelo explicativosegundo
categorias abstratas.Ele não fala de trabalhadores mas de setores da sociedade
industrial britânica,a indústria e o campesinato inter-relacionados.
Marx
,seguindo outros economistas neo-ricardianos(Thompson ,Bray),amplifica todo o
processo capitalista de produção,em suas partes constitutivas,concretas,mas
mesmo dispondo de uma visão mais completa e de uma concepção do movimento,que
dilui as abstrações vazias,o seu método dialético racional,objetivo,não é mais
do que uma aproximação do concreto.Não há como chegar ao “ concreto de
pensamento” pelo método racional dialético”pela dedução dialética.
Em
todo a decomposição que Marx faz dos diversos compartimentos do capitalismo ele
busca este “ concreto”,mas há um limite.Marx só aborda o problema social pelo
racionalismo ,não considerando a realidade concreta .Ele é iludido pela idéia
do “ movimento”,que ele teria apreendido,mas não é assim.Vejamos o modelo
abaixo:
Vamos
supor que que temos três mercadorias produzidas e prontas para vender.Pelo
método de abstração o fenômeno de produção pode ser decomposto em não só
mercadorias,mas em força de trabalho,que as produz,em comércio ,que as vende,mas
entre elas,entre estas figuras representativas de mercadorias ,existem outros
fatores sociais que têm um peso diferenciado na produção da mais-valia.
Ao
estabelecer,dentro da concepção racional do movimento dialético objetivo que o
trabalho é o que produz mais-valia,sendo o trabalho não-pago a matriz da
exploração,a matriz da manutenção do sistema,a excessiva capacidade de produção
do capitalismo se contradiz com a progressiva incapacidade de consumo do
trabalhador,daí as crises.
Marx
notou,no referido processo de transformação em preço de produção e preços de venda
,uma incongruência que feria a lógica de sua exposição:os erros de cálculo
pareciam indicar algo a mais,mais-valia a mais,que ele não compreendia,mas a
razão é esta.Os fatores qualitativos,concretos não são apreendidos pela “ razão
pura” ainda que dialética,mas possuem um papel na mais-valia.
A
matriz do estruturalismo no século XX é esta concepção inserida no Capital.Levi-Strauss,o
maior dos estruturalistas foi acusado muito justamente de anti-humanismo,mas
alegou que a quantidade de eventos impunha o seu método,porque seria impossível
a descrição real da infinidade de fatos sociais.
Esta
observação vale para o Capital e a economia,como ciência social.A pura dedução
não tem condições de chegar ao concreto.A decomposição dedutiva do real
aplicado à sociedade tira-lhe o
sentido,as circunstâncias humanas concretas,não raro acidentais.
O
capitalismo não é contraditório é anárquico
.




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