capa de O Capital em alemão,anotada pelo próprio Marx
Agora
posso,depois de iniciais abordagens de O Capital,me preparar para
entrar propriamente no livro.Contudo ainda há uma premissa que eu
desejo expor:
Só
consegui efetivamente entender O Capital quando li o volume
III.Porque a questão do volume I é só a da mais-valia ,a
descoberta de sua fonte,que não foi tarefa realizada só por
Marx,mas que já vinha sendo colocada pelos economistas
neo-ricardianos,grupo ao qual ele pertence.
No
entanto muita gente entra nos debates imensos em torno deste texto
opondo este primeiro volume,o que não é possível.A reiteração
deste erro,quer dizer,de considerar só o volume inicial como
decisivo, confunde aquele que quer entender o Capital,que é um livro
essencial de síntese do capitalismo,tarefa intelectual e histórica
que se esperava no século XIX,após a segunda onda industrial(1830
mais ou menos[a partir desta data é que as discussões sobre a fonte
da riqueza começam e se prolongam,na recepção de livro de Ricardo
“Princípios de Economia Politica e Tributação” ).Estes dois
méritos iniciais são incontestáveis de Marx.Marx está no diapasão
de Goethe e de Balzac,de quem tanto gostava.
Era
evidente que com a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas
uma etapa de mudança(transição?) na história tinha se
inaugurado.O primeiro a analisar isto ,na arte, foi Goethe,com o “
Fausto”,mas Balzac,aprofundou esta primeira apreensão procurando
ver as consequencias do capitalismo na vida humana,nos sentimentos e
valores humanos.
O
que se esperava é que alguém fizesse o mesmo na economia politica e
este alguém foi Marx.Contudo ele mesmo contribuiu para as
dificuldades de compreensão ao afirmar que o volume básico e
suficiente(Enrique Dussel ressalta esta afirmação de Marx)era o
inicial, porque entendia que o processo de transformação de preços
de produção em preços de venda(transformação),a grande
aufhebung do capitalismo ,elucidativa do processo de
exploração,era algo evidente ,e nos cadernos susbequentes ,que
constituíram a partir da atividade de Engels,após sua morte,os
volumes II e III, haveria apenas uma confirmação da tese
inicial.Marx tentou nos últimos anos dar um “ todo artístico”(no
sentido aristotélico de “ tecné”, a arte de encaixar os
elementos constitutivos do método) a estes cadernos,sem obter
resultados.
E
isto porque estes cadernos,que expressariam a prova teórica de O
Capital,são só os que mais causam polêmicas,exatamente por não
oferecê-la,mas,antes ,dúvidas e questionamentos.
Ora
acusando Marx de se confundir,ora e principalmente culpando Engels
por estas dúvidas ,os autores se dividem,mas o fato é que a prova
das teses de O Capital não é cabal aí.É por aqui que eu quero
começar estes meus artigos e estudos sobre este livro que ocupou
um papel quase idêntico ao da Biblia desde minha tenra infância.

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