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terça-feira, 8 de outubro de 2019

O Capital IV

capa de O Capital em alemão,anotada pelo próprio Marx
Agora posso,depois de iniciais abordagens de O Capital,me preparar para entrar propriamente no livro.Contudo ainda há uma premissa que eu desejo expor:
Só consegui efetivamente entender O Capital quando li o volume III.Porque a questão do volume I é só a da mais-valia ,a descoberta de sua fonte,que não foi tarefa realizada só por Marx,mas que já vinha sendo colocada pelos economistas neo-ricardianos,grupo ao qual ele pertence.
No entanto muita gente entra nos debates imensos em torno deste texto opondo este primeiro volume,o que não é possível.A reiteração deste erro,quer dizer,de considerar só o volume inicial como decisivo, confunde aquele que quer entender o Capital,que é um livro essencial de síntese do capitalismo,tarefa intelectual e histórica que se esperava no século XIX,após a segunda onda industrial(1830 mais ou menos[a partir desta data é que as discussões sobre a fonte da riqueza começam e se prolongam,na recepção de livro de Ricardo “Princípios de Economia Politica e Tributação” ).Estes dois méritos iniciais são incontestáveis de Marx.Marx está no diapasão de Goethe e de Balzac,de quem tanto gostava.
Era evidente que com a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas uma etapa de mudança(transição?) na história tinha se inaugurado.O primeiro a analisar isto ,na arte, foi Goethe,com o “ Fausto”,mas Balzac,aprofundou esta primeira apreensão procurando ver as consequencias do capitalismo na vida humana,nos sentimentos e valores humanos.
O que se esperava é que alguém fizesse o mesmo na economia politica e este alguém foi Marx.Contudo ele mesmo contribuiu para as dificuldades de compreensão ao afirmar que o volume básico e suficiente(Enrique Dussel ressalta esta afirmação de Marx)era o inicial, porque entendia que o processo de transformação de preços de produção em preços de venda(transformação),a grande aufhebung do capitalismo ,elucidativa do processo de exploração,era algo evidente ,e nos cadernos susbequentes ,que constituíram a partir da atividade de Engels,após sua morte,os volumes II e III, haveria apenas uma confirmação da tese inicial.Marx tentou nos últimos anos dar um “ todo artístico”(no sentido aristotélico de “ tecné”, a arte de encaixar os elementos constitutivos do método) a estes cadernos,sem obter resultados.
E isto porque estes cadernos,que expressariam a prova teórica de O Capital,são só os que mais causam polêmicas,exatamente por não oferecê-la,mas,antes ,dúvidas e questionamentos.
Ora acusando Marx de se confundir,ora e principalmente culpando Engels por estas dúvidas ,os autores se dividem,mas o fato é que a prova das teses de O Capital não é cabal aí.É por aqui que eu quero começar estes meus artigos e estudos sobre este livro que ocupou um papel quase idêntico ao da Biblia desde minha tenra infância.

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