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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Algumas palavras éticas sobre Prestes,Luiz Carlos Prestes.






Série Jacob Gorender




A minha formação de comunista se deu em torno da figura heróica de Luiz Carlos Prestes,que eu conheci pela leitura da biografia de Jorge Amado.Lá ainda não havia erros.Era a época imediatamente anterior à anistia e eu não tinha lido Jacob Gorender.
Neste texto  quero marcar  o sentido ético de ser revolucionário,mesmo que não-leninista,como é o  caso de Prestes.
O revolucionário é aquele que está sempre disposto a começar do zero.Quem melhor definiu a figura psicológica de Prestes foi seu filho, João Ribeiro Prestes,no documentário “ O Velho” e eu reproduzo,na medida do possível suas palavras aqui ipsis litteris:”para mim meu pai foi ,durante a vida,uma pessoa muito solitária,no sentido de que quando ele achava que estava certo(como aliás fez ao longo da vida)ele não tinha medo de começar do zero ,tudo de novo”.
Não existe conchavo ou conveniência capaz de modificar esta característica inelutável do revolucionário,seja o tenentista,seja o leninista,o marxista.
Contudo se nós olharmos o texto de Gorender fica evidente que muita gente abriu mão de suas convicções porque dependia do partido em termos de sobrevivência.
Prestes não se enquadra nesta categoria,mas na medida em que ele vivia do soldo do partido,sendo um político profissional,favorecia tal tipo de  distorção,a bem da verdade,vergonhosa:trair suas convicções por necessidade.
É  neste sentido,que,apesar de reconhecer as características heróicas de Prestes,não me furto de discutir ,não posso deixar de pensar que a sua atitude era idêntica à do burguês ,que vive em função do partido que financia e que acaba por influenciar(em razão do dinheiro),mais do que o partido a ele,como se deveria esperar.
Quando se depende do partido,por mais que se tenha convicção,certas necessidades acabam prevalecendo e isto,e meu ver,se prova com o modo seguidista cego em relação à URSS,de Prestes.Era convicção ou necessidade?
Prestes não influenciava em função de dinheiro nenhum,mas acabava por fundar um comportamento altamente diluidor do movimento e altamente propicio à traição e ao oportunismo.
O limite a que se impôs ao sair do Partido em 1980(por não ter mais alternativa),elimina qualquer intenção neste último sentido e o põe na galeria dos revolucionários brasileiros tenentistas,mas a sua prática anterior fundou e cimentou uma das tantas distorções ligadas ao nome dele,sobre as quais continuarei falando.


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