Série Jacob Gorender
A minha formação de comunista se deu em torno da figura heróica de Luiz Carlos Prestes,que eu conheci pela leitura da biografia de Jorge Amado.Lá ainda não havia erros.Era a época imediatamente anterior à anistia e eu não tinha lido Jacob Gorender.
Neste texto quero marcar o sentido ético de ser revolucionário,mesmo
que não-leninista,como é o caso de
Prestes.
O revolucionário
é aquele que está sempre disposto a começar do zero.Quem melhor definiu a
figura psicológica de Prestes foi seu filho, João Ribeiro Prestes,no
documentário “ O Velho” e eu reproduzo,na medida do possível suas palavras aqui
ipsis litteris:”para mim meu pai foi ,durante a vida,uma pessoa muito
solitária,no sentido de que quando ele achava que estava certo(como aliás fez
ao longo da vida)ele não tinha medo de começar do zero ,tudo de novo”.
Não existe
conchavo ou conveniência capaz de modificar esta característica inelutável do
revolucionário,seja o tenentista,seja o leninista,o marxista.
Contudo se nós
olharmos o texto de Gorender fica evidente que muita gente abriu mão de suas
convicções porque dependia do partido em termos de sobrevivência.
Prestes não se
enquadra nesta categoria,mas na medida em que ele vivia do soldo do partido,sendo
um político profissional,favorecia tal tipo de
distorção,a bem da verdade,vergonhosa:trair suas convicções por necessidade.
É neste sentido,que,apesar de reconhecer as
características heróicas de Prestes,não me furto de discutir ,não posso deixar
de pensar que a sua atitude era idêntica à do burguês ,que vive em função do
partido que financia e que acaba por influenciar(em razão do dinheiro),mais do
que o partido a ele,como se deveria esperar.
Quando se
depende do partido,por mais que se tenha convicção,certas necessidades acabam
prevalecendo e isto,e meu ver,se prova com o modo seguidista cego em relação à
URSS,de Prestes.Era convicção ou necessidade?
Prestes não
influenciava em função de dinheiro nenhum,mas acabava por fundar um
comportamento altamente diluidor do movimento e altamente propicio à traição e
ao oportunismo.
O limite a que
se impôs ao sair do Partido em 1980(por não ter mais alternativa),elimina
qualquer intenção neste último sentido e o põe na galeria dos revolucionários
brasileiros tenentistas,mas a sua prática anterior fundou e cimentou uma das
tantas distorções ligadas ao nome dele,sobre as quais continuarei falando.
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