Série sobre
Gorender
Em todos estes
episódios em torno de 35 normalmente quem tem uma ligação direta ou indireta
com o fato não aborda o problema dos
erros e dos avisos que foram dados antes
da quartelada.
Em primeiro
lugar Prestes ,quando foi imposto de cima para baixo pela Internacional,o fez
contrariando a vontade daquele que o havia cooptado para o comunismo em Buenos
Aires: Astrojildo Pereira.
Segundo consta
do livro de José Nilo Tavares,sobre 35 ,quando Prestes entrou,Astrojildo saiu e foi vender banana na
sua cidade natal,Rio Bonito.
Mas não foi só
ele a se retirar:Otávio Brandão,o
ex-anarquista que passou para o comunismo,para o marxismo, e foi o primeiro
tradutor(do francês)do Manifesto Comunista,afirmou aquelas verdades que todo
marxista que realmente o conhece deveria repetir sempre.No seu depoimento no
CPDOC e no filme “ O Assalto ao Poder”,ele diz que o trabalho conseqüente de
todo marxista é convencer o tempo que
for preciso as massas trabalhadoras da justeza das suas posições,mas acima de
tudo,ganhando posições e vantagens sócio-econômicas para os mesmos,ainda que no
âmbito do Capitalismo.
Este é o
problema que sempre atormentou qualquer militante(menos eu):ao ganhar,principalmente
no ocidente,estas posições ,o
trabalhador se recusou a fazer revolução e passou para o método reformista,como
queria Bernstein,um anátema para o militante ortodoxo,que sempre acusou esta maneira
de ser de capitulação com o “ antigo
regime”.
Bernstein
entendia que a sua posição reformista
estava de acordo com o pensamento de
Marx,mas este achava que os ganhos conduziriam à explosão revolucionária e não
a uma passagem tranqüila do capitalismo ao socialismo.
Como tenho dito freqüentemente,notadamente
no meu blog “ A Ponte”,a visão idealista
de abolir a propriedade como um ato de
vontade que por si só acabaria coma a exploração e as formas clássicas de
consciência social alienada,tem mais a ver com a religião do que com o Marxismo.
Para que haja a
passagem do capitalismo ao comunismo é preciso uma classe trabalhadora forte e
produtiva,que ao tomar os meios de produção seja capaz de aumentá-la a níveis
aptos a superar as classes sociais que como Marx e os comunistas diziam, eram o
resultado do modo histórico pelo qual a humanidade tenta administrar a
escassez,desde a revolução na agricultura ,há 10.000 anos, até aos dias de
hoje.
A teoria não
depende para se realizar da subjetividade somente,mas da condição objetiva de
produzir os bens em níveis que a sociedade possa usar sem outra preocupação que
não o próprio usufruto,que libera tempo livre e crias condições para um
crescimento da mesma produção ainda mais.Esta
condição objetiva associada a uma subjetividade consciente é que é base imediata da superação do modo de produção capitalista.
Então a questão de se
a revolução é que liberta ou a
reforma não é mais importante do que este fato prévio.Mas a sua
implantação prévia(capacidade produtiva no
âmbito do capitalismo)induz mais claramente para a reforma.
Dizia Bernstein:”
O movimento é tudo”,máxima do marxismo
reformista e evolucionista,que supostamente diluía a consciência social e revolucionária do trabalhador.Isto não é
verdade e pensar num processo pacífico deste tipo nos coloca a possibilidade de
ir à utopia não da guerra revolucionária para
paz,mas da paz para a paz.O comunismo não seria a conseqüência da
constatação da miséria,mas o resultado do melhor,do melhor para algo
melhor ainda.
As afirmações de
Otávio Brandão levam à constatação de
que o revolucionarismo num país atrasado como Brasil,sem classe trabalhadora consciente
,fica refém de uma personalidade mal preparada,um salvador(como na Rússia,como
não)e que há que valorizar ,no seio da História aquele que acertou na avaliação
dos fatos.Porque não partir daí para manter a
questão social na ordem do dia?Porque não partir da constatação dos
erros para seguir?

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