href="file:///C:\Documents%20and%20Settings\Usuario\Desktop\mesa%20de%20trabalho\1515_ptole_BWLow2.pdf"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Se conta na História sim



Série sobre Gorender


Em todos estes episódios em torno de 35 normalmente quem tem uma ligação direta ou indireta com o fato não aborda o problema  dos erros e dos  avisos que foram dados antes da quartelada.
Em primeiro lugar Prestes ,quando foi imposto de cima para baixo pela Internacional,o fez contrariando a vontade daquele que o havia cooptado para o comunismo em Buenos Aires: Astrojildo Pereira.
Segundo consta do livro de José Nilo Tavares,sobre 35 ,quando Prestes  entrou,Astrojildo saiu e foi vender banana na sua cidade natal,Rio Bonito.
Mas não foi só ele a  se retirar:Otávio Brandão,o ex-anarquista que passou para o comunismo,para o marxismo, e foi o primeiro tradutor(do francês)do Manifesto Comunista,afirmou aquelas verdades que todo marxista que realmente o conhece deveria repetir sempre.No seu depoimento no CPDOC e no filme “ O Assalto ao Poder”,ele diz que o trabalho conseqüente de todo marxista é  convencer o tempo que for preciso as massas trabalhadoras da justeza das suas posições,mas acima de tudo,ganhando posições e vantagens sócio-econômicas para os mesmos,ainda que no âmbito do Capitalismo.
Este é o problema que sempre atormentou qualquer militante(menos eu):ao ganhar,principalmente no ocidente,estas posições  ,o trabalhador se recusou a fazer revolução e passou para o método reformista,como queria Bernstein,um anátema para o militante  ortodoxo,que sempre acusou esta maneira de  ser de capitulação com o “ antigo regime”.
Bernstein entendia que a  sua posição reformista estava de  acordo com o pensamento de Marx,mas este achava que os ganhos conduziriam à explosão revolucionária e não a uma passagem tranqüila do capitalismo ao socialismo.
Como tenho dito freqüentemente,notadamente no meu blog “ A Ponte”,a  visão idealista de abolir a  propriedade como um ato de vontade que por si só acabaria coma a exploração e as formas clássicas de consciência social alienada,tem mais a ver com a  religião do que com o Marxismo.
Para que haja a passagem do capitalismo ao comunismo é preciso uma classe trabalhadora forte e produtiva,que ao tomar os meios de produção seja capaz de aumentá-la a níveis aptos a superar as classes sociais que como Marx e os comunistas diziam, eram o resultado do modo histórico pelo qual a humanidade tenta administrar a escassez,desde a revolução na agricultura ,há 10.000 anos, até aos dias de hoje.
A teoria não depende para se realizar da subjetividade somente,mas da condição objetiva de produzir os bens em níveis que a sociedade possa usar sem outra preocupação que não o próprio usufruto,que libera tempo livre e crias condições para um crescimento da mesma produção ainda mais.Esta condição objetiva associada a uma subjetividade consciente é que é  base imediata da  superação do modo de produção capitalista.
Então a  questão de se  a revolução é que liberta ou a  reforma não é mais importante do que este fato prévio.Mas a sua implantação prévia(capacidade produtiva no âmbito do capitalismo)induz mais claramente para a reforma.
Dizia Bernstein:” O movimento é  tudo”,máxima do marxismo reformista e evolucionista,que supostamente diluía  a consciência social e  revolucionária do trabalhador.Isto não é verdade e pensar num processo pacífico deste tipo nos coloca a possibilidade de ir à utopia não da guerra revolucionária para  paz,mas da paz para a paz.O comunismo não seria a conseqüência da constatação da miséria,mas o resultado do melhor,do melhor para algo melhor  ainda.
As afirmações de Otávio Brandão levam  à constatação de que o revolucionarismo num país atrasado como Brasil,sem classe trabalhadora consciente ,fica refém de uma personalidade mal preparada,um salvador(como na Rússia,como não)e que há que valorizar ,no seio da História aquele que acertou na avaliação dos fatos.Porque não partir daí para manter a  questão social na ordem do dia?Porque não partir da constatação dos erros para seguir?

Nenhum comentário:

Postar um comentário