Esta questão é
importantíssima,colocada pelo ex-anarquista.Acima de tudo,como qualquer
coisa,qualquer movimento,o comunismo precisa de uma Paideia,uma educação
prévia.Não se forma o homem novo depois da revolução mas antes.O depois da
Revolução(ou da Reforma)é a
fruição(quase),o prazer.A luta é sempre, agora.
Então o
militante, ao tentar convencer o mundo do trabalho, encontra naturalmente
imensas dificuldades.Em princípio o nível de consciência das pessoas é abaixo
do dele e é aí que reside um dos problemas mais terríveis do comunismo
brasileiro e de tantos outros lugares.
A esquerda
sempre viu o povo trabalhador,como a
base e o destinatário das mudanças,mas em função de interesses pragmáticos e
diante,às vezes,de derrotas e recuos(que fundam e justificam este pragmatismo)as
vanguardas,os militantes , sempre preferiram preservar os ganhos,a despeito dos
erros de compreensão por parte da massa quanto á teoria e aos fundamentos do marxismo.
O marxismo é
anti-pragmático(bem como qualquer movimento de mudança real)porque ele é
preconizador de uma mudança radical e baseado numa teoria,num
método(materialismo histórico),que,apesar das mudanças no seu seio,possui determinados
limites e critérios a obedecer.Limites e critérios que são normalmente massacrados
pelo pragmatismo e pelas derrotas,principalmente a maior(definitiva?)em 89.
A tarefa da
militância é elevar a consciência das massas,de modo a torná-las não massa,mas um grupamento
consciente e capaz de interagir com o
Partido de maneira consciente.E de mudar a sociedade,por isso.
Acontece que a
relação entre as vanguardas e o povo
nunca atendeu a critérios objetivos diferentes do assim chamado “ antigo regime”;quem
está por cima,quem obtém um lugar não permite que o outro entre,que o povo
trabalhador se eleve.É falaciosa a “ camaradagem”,a cooperação socialista, a
competição socialista.
Na hora H os
eventos demonstraram que a personalidade não quer deixar o poder,mesmo quando
comete um erro crasso.Eu penso ,como exemplo disto ,nas figuras de Prestes,que errou barbaramente em 64 e Mao-Tsé-Tung,que
cometeu um crime contra a humanidade,no “ Grande Salto para a Frente”.Este
último teve a condição de se rebelar com a “ Revolução Cultural”,um golpe que
ele deu no partido,que queria,em face do seu erro,tirá-lo.
A verdade é que
o misticismo dos populistas russos permaneceu no marxismo e a mística do povo e
da liderança se sobrepôs ao conhecimento
do mundo,coisa essencial para mudá-lo.
O stalinismo,em
suas diversas versões,inclusive a brasileira,é uma expressão destes erros que vêm
desde a morte dos fundadores do comunismo moderno.Eles próprios expressaram
dúvidas ,que só serviram para justificar
teorias políticas que não tinham muito a ver com o que eles disseram.E
também,mais importante do que os textos,é a realidade,o mundo real,onde o
trabalhador está.O “livro do mundo” no dizer de Descartes, é mais importante do
que os textos.este é um dos caminhos para evitar o dogmatismo.

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