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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Otávio Brandão II



Esta questão é importantíssima,colocada pelo ex-anarquista.Acima de tudo,como qualquer coisa,qualquer movimento,o comunismo precisa de uma Paideia,uma educação prévia.Não se forma o homem novo depois da revolução mas antes.O depois da Revolução(ou da Reforma)é a  fruição(quase),o prazer.A luta é sempre, agora.
Então o militante, ao tentar convencer o mundo do trabalho, encontra naturalmente imensas dificuldades.Em princípio o nível de consciência das pessoas é abaixo do dele e é aí que reside um dos problemas mais terríveis do comunismo brasileiro e de tantos outros lugares.
A esquerda sempre  viu o povo trabalhador,como a base e o destinatário das mudanças,mas em função de interesses pragmáticos e diante,às vezes,de derrotas e recuos(que fundam e justificam este pragmatismo)as vanguardas,os militantes , sempre preferiram preservar os ganhos,a despeito dos erros de compreensão por parte da massa quanto á teoria e  aos fundamentos do marxismo.
O marxismo é anti-pragmático(bem como qualquer movimento de mudança real)porque ele é preconizador de uma mudança radical e baseado numa teoria,num método(materialismo histórico),que,apesar das mudanças no seu seio,possui determinados limites  e critérios a obedecer.Limites  e critérios que são normalmente massacrados pelo pragmatismo e pelas derrotas,principalmente a maior(definitiva?)em 89.
A tarefa da militância é elevar a consciência das massas,de modo  a torná-las não massa,mas um grupamento consciente e capaz de  interagir com o Partido de maneira consciente.E de mudar a sociedade,por isso.
Acontece que a relação entre as vanguardas e  o povo nunca atendeu a critérios objetivos diferentes do assim chamado “ antigo regime”;quem está por cima,quem obtém um lugar não permite que o outro entre,que o povo trabalhador se eleve.É falaciosa a “ camaradagem”,a cooperação socialista, a competição socialista.
Na hora H os eventos demonstraram que a personalidade não quer deixar o poder,mesmo quando comete um erro crasso.Eu penso ,como exemplo disto ,nas figuras de  Prestes,que errou barbaramente em 64 e Mao-Tsé-Tung,que cometeu um crime contra a humanidade,no “ Grande Salto para a Frente”.Este último teve a condição de se rebelar com a “ Revolução Cultural”,um golpe que ele deu no partido,que queria,em face do seu erro,tirá-lo.
A verdade é que o misticismo dos populistas russos permaneceu no marxismo e a mística do povo e da liderança se  sobrepôs ao conhecimento do mundo,coisa essencial para mudá-lo.
O stalinismo,em suas diversas versões,inclusive a brasileira,é uma expressão destes erros que vêm desde a morte dos fundadores do comunismo moderno.Eles próprios expressaram dúvidas ,que só serviram para  justificar teorias políticas que não tinham muito a ver com o que eles disseram.E também,mais importante do que os textos,é a realidade,o mundo real,onde o trabalhador está.O “livro do mundo” no dizer de Descartes, é mais importante do que os textos.este é um dos caminhos para evitar o dogmatismo.

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