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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Luiz Carlos Prestes III



Era comum nos partidos comunistas(acho que já me referi a isto em outro lugar)que quando a  repressão apertava,uma parte do comitê central(mais importante?) ia para o exílio e outra ficava na luta interna,correndo os riscos de desaparecimento.
Os critérios para decidir isto eram tidos como igualitários,ou seja,eram partes da mesma luta,mas a verdade é que aquele que devia ser preservado era tido como o mais importante.
Foi este argumento que se usou no gueto de Varsóvia e em todos os fenômenos totalitários:os mais importantes devem ser preservados,aqueles que não o são devem sacrificar a vida na luta(a esquerda radical que ficou no Brasil não concordaria com isto,chamando estes “ exilados” de covardes).
Este argumento foi usado em 71 para exilar Prestes na URSS e ele sempre afirmou nas suas entrevistas que “ sabia que era só para o isolarem”(já que queriam tirá-lo)e com isto Prestes admite a sua desimportância,pelo menos,para o Partido,de vez que ele próprio não tinha nem nunca tivera esta autoimagem.
Todos estes relatos servem para mostrar que existe no movimento comunista e porque não em todo o processo revolucionário uma ética não escrita,que tem que ser compreendida.Há uma ética e uma hierarquia de valores desigualitários que foge à observação de quem nela não se empenha ou está do lado de fora.
É neste sentido que eu acho anti-ético que só jovens tenham participado da guerrilha da Araguaia.Dentro de um critério tonitroado de igualdade e dentro destas premissas supraditas,deveria haver um misto de “ velhos” com “ jovens” a empunhar armas para lutar contra a ditadura militar no Brasil.
Aliás um dos melhores elementos  propagandísticos da luta dos soviéticos contra os alemães foi a junção,tantas vezes mostrada em fotos (e numa em particular)entre o velho e o novo.
Mais do que isto,quem é líder comunista o suficiente para ficar de fora da luta?Quem pode se considerar ,no âmbito do movimento comunista,acima do bem e do mal na questão de sacrificar a  vida.
Dá até a impressão de que a dizimação inevitável da juventude do Pc do B fora feita de caso pensado...(hipótese).
E isto nos remete à problemática das vanguardas e retaguardas:até que ponto o movimento comunista,que deveria ser movimento de fato,pela substituição(dialética),em meios  a estes sacrifícios,das vanguardas pelas retaguardas,não se tornou,por motivos escusos,um não-movimento,uma não-dialética,um dogma autoritário/totalitário ,com conseqüências éticas terríveis,que devem ser abordadas?Assunto para o próximo artigo.

sábado, 24 de setembro de 2016

Luiz Carlos Prestes II



Sempre achei que ter orgulho em possuir como líder de um partido um velhinho de 80 anos uma besteira.Cansei de ouvir isto na época da anistia.Como se  a permanência de um líder por tanto  tempo  indicasse sua competência e pujança,mas isto é um discurso ,um discurso diversionista,para esconder que a juventude não seguia o partido e que não havia possibilidade de trocar as lideranças,não só pelo caráter anti-democrático do Partido,mas ,também,por ausência de...juventude,de renovação.
É mais uma prova de que os verdadeiros idealistas eram os comunistas ,que dissociavam as idéias da necessária  e  ética adequação com a realidade e os fatos,pouco importando as conseqüências que esta irresponsabilidade poderia ter.
Quando,num partido político,um velho predomina,é porque acontece isto a que me referi,mas também,na eventualidade de uma certa pujança e/ou presença de juventude,há uma imensa divisão,que só se consegue evitar com a aceitação de alguém mais velho.Foi o que se viu depois que a gerontocracia soviética de Brejnev ruiu.Gorbachev teve que administrar um partido ultra-dividido e uma juventude querendo participar.Um caldo de cultura infernal que acabou por levá-lo de roldão,como um tsunami.
A relação entre os velhos dos partidos comunistas e a juventude é um assunto muito complicado e corre pari passu ao problema já referido das vanguardas e retaguardas,por isso falarei mais abaixo.
                                                   

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Algumas palavras éticas sobre Prestes,Luiz Carlos Prestes.






Série Jacob Gorender




A minha formação de comunista se deu em torno da figura heróica de Luiz Carlos Prestes,que eu conheci pela leitura da biografia de Jorge Amado.Lá ainda não havia erros.Era a época imediatamente anterior à anistia e eu não tinha lido Jacob Gorender.
Neste texto  quero marcar  o sentido ético de ser revolucionário,mesmo que não-leninista,como é o  caso de Prestes.
O revolucionário é aquele que está sempre disposto a começar do zero.Quem melhor definiu a figura psicológica de Prestes foi seu filho, João Ribeiro Prestes,no documentário “ O Velho” e eu reproduzo,na medida do possível suas palavras aqui ipsis litteris:”para mim meu pai foi ,durante a vida,uma pessoa muito solitária,no sentido de que quando ele achava que estava certo(como aliás fez ao longo da vida)ele não tinha medo de começar do zero ,tudo de novo”.
Não existe conchavo ou conveniência capaz de modificar esta característica inelutável do revolucionário,seja o tenentista,seja o leninista,o marxista.
Contudo se nós olharmos o texto de Gorender fica evidente que muita gente abriu mão de suas convicções porque dependia do partido em termos de sobrevivência.
Prestes não se enquadra nesta categoria,mas na medida em que ele vivia do soldo do partido,sendo um político profissional,favorecia tal tipo de  distorção,a bem da verdade,vergonhosa:trair suas convicções por necessidade.
É  neste sentido,que,apesar de reconhecer as características heróicas de Prestes,não me furto de discutir ,não posso deixar de pensar que a sua atitude era idêntica à do burguês ,que vive em função do partido que financia e que acaba por influenciar(em razão do dinheiro),mais do que o partido a ele,como se deveria esperar.
Quando se depende do partido,por mais que se tenha convicção,certas necessidades acabam prevalecendo e isto,e meu ver,se prova com o modo seguidista cego em relação à URSS,de Prestes.Era convicção ou necessidade?
Prestes não influenciava em função de dinheiro nenhum,mas acabava por fundar um comportamento altamente diluidor do movimento e altamente propicio à traição e ao oportunismo.
O limite a que se impôs ao sair do Partido em 1980(por não ter mais alternativa),elimina qualquer intenção neste último sentido e o põe na galeria dos revolucionários brasileiros tenentistas,mas a sua prática anterior fundou e cimentou uma das tantas distorções ligadas ao nome dele,sobre as quais continuarei falando.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

É muito estranho... II



Muita gente que na época da anistia integrava o PT era do Partidão.A sua função era mudar de dentro o PT ou levar,como queria Hércules Correa,os quadros do PT para o PC.
Contudo,com o tempo e em face da arrogância destes lideres stalinistas,a situação virou facilmente a favor do PT,este partido hibrido.Então a conduta dentro do Partidão ficou muito ambígua:explico.
Na medida ,e eu já disse em outro artigo e  em outro blog,a respeito de Achille Ochetto,em que o Partido já não era mais aquilo que  dizia ser,deveria,por uma questão de honestidade se modificar.
Como um afirmação de Gramsci,tirada de Hegel,enquanto o novo não parece totalmente e  o velho não deixa o proscênio ,o que há é ambigüidade e morbidez(morte[transfiguração que não acaba]),mas há também o fenômeno da traição, da podridão moral.
Muita gente cresceu,ganhando ou não dinheiro,com este lusco-fusco,nem manhã,nem noite(MacBeth).A auto-reforma do socialismo,no âmbito de todos os partidos ,inclusive na Europa,mas focalizando mais o brasileiro, permitiu que muita gente em nome da continuidade do comunismo(que não defendia de fato)ganhasse foros de importância(nome),para no fim do movimento se tornar aquilo que já queria ser antes:um termidoriano ,um fisiológico,cuja diferença para um fisiológico de  direita é nenhuma.
E eu cito agora a direita propositalmente,porque esta ambigüidade,mal escondida na auto-reforma,favorecia a direita,não só por enfraquecer o partido,desuni-lo,mas principalmente,por permitir um empurrãozinho que deve ter sido dado com gente infiltrada.
Se você,eticamente,não concorda com um movimento,sai,deve sair.Os partidos,como a Política,não são profissão,mas convicção.Embora Prestes tenha alguns problemas na sua  militância,sempre admirei o fato,e isto eu entendo ser uma característica  necessária de todo revolucionário,do seu desprendimento em começar do zero quando não concordava com alguma coisa,como expressou o seu filho João Ribeiro Prestes,no documentário “ O Velho”.Ás vezes e necessariamente o revolucionário,aquele que quer mudar precisa ficar sozinho.
Uma vez eu ouvi isto numa reunião partidária e infelizmente a pessoa que o disse não confirmou coerência quanto a isto,mas eu,até hoje:” comunista,pessoa que quer mudar, luta onde der (sozinho[eu acrescento])”.

É muito estranho...



Hoje,numa época de relativa maturidade pessoal, acho muito estranhos certos comportamentos  de cooptação do partido em relação aos possíveis militantes e especificamente quanto a mim.
Depois da atitude de Marighella,já relatada,em relação a Carlos Eugênio Paz,fico pensando que muita da cooptação dos dirigentes obedecia a interesses pessoais(stalinistas) quiçá escusos,isto é,motivações por critérios de espionagem ou infiltração.
O Partido no exílio sabia que tinha  perdido espaço para o PT e enviou muita gente, em todos os setores,para militar no PT e de dentro modificá-lo de modo a favorecer o partidão quando de sua inevitável volta em 1979.
Só que neste processo muita gente percebera já  a impossibilidade de fazê-lo e começou a jogar com os dois lados.
Na verdade desde o sexto congresso ,o partido se dividira em uma postura de aceitação das regras do jogo e uma transferência da vanguarda da luta para o PT.
O que não significava na época e hoje que  não predominasse a tendência que se tornou hegemônica atualmente,sob as rubricas:” melhorismo”,” democracia” ou outras denominações:pura adesão termidoriana ao antigo regime.
A prática de cooptação é uma medida constante desta tendência inicial e que se tornou dominante.O esquema é simples:colocar qualquer um dentro do partido para fingir que existe massa;quando as coisas não vão  bem a liderança põe a culpa nestes preparados(que ela não preparou)e se exime de  responsabilidade;uma parte destes anódinos(principalmente mulheres)permanecem no Partido,recebendo benesses e sem sofrer nenhuma critica,para mostrar que,apesar dos erros de alguns,o partido segue e a liderança recuperou-o,a despeito dos maus elementos.
Um esquema demagógico,sem fundamento teórico e manipulatório,em sua essência,que privilegia  aquele que interage não com  o marxismo mas com a liderança stalinista(personalista[ela mesmo]).
Aparentemente a atitude educativa de Marighella em relação a Carlo Eugênio não tem similitude na cooptação dos dominicanos,crianças que despreparadas o tempo todo e que acabaram por levar o chefe à morte.
Poderia se alegar que a manipulação da igreja em sua força de penetração nas massas justificava esta cooptação,mas não há como não inquinar esta atitude de irresponsável e um pouco desesperada(se existe desespero pouco...)já que a vítima foi o próprio líder.
Eu,de  minha parte,se fosse cooptado para a  luta armada,me recusaria a pegar em armas para lutar ao lado de coroinhas jovens acostumados a ouvir ,na barra da saia da mãe,” quando baterem na sua face esquerda,ofereça-lhe a direita”.É um absurdo e um convite evidente de mais à valsa,que nos enseja a pensar que tudo é premeditado.Assunto para o artigo seguinte.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Os judecas














Dante Alighieri colocou os traidores,a quem chamava de judecas,num determinado circulo  do inferno,onde 

ardiam no fogo.Um dos mais famosos traidores da história é Francesco Pazzi,retratado aí em cima por 
Leonardo Da Vinci.
Um dos capítulos mais terríveis da obra de Gorender  é a revelação de algumas traições  que conduziram companheiros à morte.Ele foi o primeiro a colocar abertamente esta questão no seio da esquerda.Eu ,como sempre, não ultrapasso o livro,eu discuto o problema sempre dentro de uma perspectiva atual e de futuro.
Eu já coloquei as balizas desta problemática em outro artigo mas vou relembrar aqui porque é necessário.
A trajetória dos comunistas em muitos lugares e aqui ,foi sempre clandestina.A clandestinidade tem um significado aparentemente  heróico,mas ela se tornou não uma imposição dos vários sistemas repressores que se abateram sobre os comunistas.O problema é que ela se tornou uma finalidade e neste sentido ela funcionou muitas vezes como uma justificação para comportamentos indevidos na relação entre os companheiros,notadamente,quando a clandestinidade não era tão exigível.Às vezes ,parece,que a clandestinidade tinha  outras finalidades,que não a defesa e a continuidade da luta.
Junte-se  a isto o fato de que  os partidos comunistas admitiram sempre pegar em armas para fazer valer as suas idéias,rompendo com a visão do século XIX,em que o intelectual não o fazia.
Carlos Eugênio Paz,em entrevista a Geneton  Moraes Neto,faz revelações que nos ajudam a compreender as conseqüências desta junção militarização/clandestinidade.
Os partidos de modo geral são baseados em idéias e aqueles que participam deles o fazem por causa delas,mas normalmente,por princípio democrático,quando há divergência é um direito da pessoa sair,por convicção.
Na clandestinidade,sair por convicção implica em risco de revelação de segredos e muitas vezes os justiçamentos relatados por  Gorender e Carlos Eugênio Paz parecem ser motivados não por qualquer razão que não seja preservar este segredo.
Mas isto é justo?Carlos Eugênio afirma que matou um companheiro porque simplesmente ele saiu,foi uma defecção.
Na minha opinião só se pode fazer um justiçamento se houver risco para o grupo,pois sair por convicção é um direito político,que a necessidade militar,engajada,clandestina não tem o direito de justificar.É crime.
A mim me soam estranhas certas narrativas contidas no livro,porque tudo é muito nebuloso e conduz a esta constatação de que os atos de justiçamento são praticados por uma forma muito sutil de ditadura,porque,na luta,se o companheiro não acredita mais,não pode sair.E eu pergunto se em tais casos não há  interesse de determinadas lideranças de obter poder praticando estes atos e se mais grave do que isto,tal possibilidade já não joga um papel político prévio,quero dizer,se  clandestinidade,desnecessária,não é definida com propósitos escusos,pessoais.
Na clandestinidade é mais fácil,é mais fácil adquirir um nome,mesmo estando aliado ao outro lado.