Era comum nos
partidos comunistas(acho que já me referi a isto em outro lugar)que quando a repressão apertava,uma parte do comitê
central(mais importante?) ia para o exílio e outra ficava na luta
interna,correndo os riscos de desaparecimento.
Os critérios para
decidir isto eram tidos como igualitários,ou seja,eram partes da mesma luta,mas
a verdade é que aquele que devia ser preservado era tido como o mais
importante.
Foi este
argumento que se usou no gueto de Varsóvia e em todos os fenômenos totalitários:os
mais importantes devem ser preservados,aqueles que não o são devem sacrificar a
vida na luta(a esquerda radical que ficou no Brasil não concordaria com
isto,chamando estes “ exilados” de covardes).
Este argumento
foi usado em 71 para exilar Prestes na URSS e ele sempre afirmou nas suas
entrevistas que “ sabia que era só para o isolarem”(já que queriam tirá-lo)e
com isto Prestes admite a sua desimportância,pelo menos,para o Partido,de vez
que ele próprio não tinha nem nunca tivera esta autoimagem.
Todos estes
relatos servem para mostrar que existe no movimento comunista e porque não em
todo o processo revolucionário uma ética não escrita,que tem que ser
compreendida.Há uma ética e uma hierarquia de valores desigualitários que foge
à observação de quem nela não se empenha ou está do lado de fora.
É neste sentido
que eu acho anti-ético que só jovens tenham participado da guerrilha da
Araguaia.Dentro de um critério tonitroado de igualdade e dentro destas premissas
supraditas,deveria haver um misto de “ velhos” com “ jovens” a empunhar armas
para lutar contra a ditadura militar no Brasil.
Aliás um dos
melhores elementos propagandísticos da
luta dos soviéticos contra os alemães foi a junção,tantas vezes mostrada em
fotos (e numa em particular)entre o velho e o novo.
Mais do que
isto,quem é líder comunista o suficiente para ficar de fora da luta?Quem pode
se considerar ,no âmbito do movimento comunista,acima do bem e do mal na
questão de sacrificar a vida.
Dá até a impressão
de que a dizimação inevitável da juventude do Pc do B fora feita de caso
pensado...(hipótese).
E isto nos
remete à problemática das vanguardas e retaguardas:até que ponto o movimento
comunista,que deveria ser movimento de fato,pela substituição(dialética),em
meios a estes sacrifícios,das vanguardas
pelas retaguardas,não se tornou,por motivos escusos,um não-movimento,uma
não-dialética,um dogma autoritário/totalitário ,com conseqüências éticas
terríveis,que devem ser abordadas?Assunto para o próximo artigo.